terça-feira, 11 de janeiro de 2011

No veneno


Endoidecido!
Mauro parte em busca dos que um dia fizeram sua família sofrer. Mas como encontrar? Se o rosto é breu, as características físicas são uniformes e as vozes são uma mistura de ódio e medo?
Mauro não quer saber. Quer saber de endoidar. Matar. Vingança.
Embora o próprio Mauro tivesse suas dívidas com a sociedade, nunca foi de matar ou roubar. Só quando necessário.
Enfim. Era maio, terça-feira, à noite, quase madrugada. Sem saber de nada. Sem ter direção alguma. Mauro escolheu apenas ter ódio. Ir atrás da vingança.
Noite chuvosa você sabe como é. Poucas pessoas na rua. Vento gelado soprando sempre sobre seu rosto incerto. Somente sombra.
E nesse ambiente, só vemos Mauro. Mauro e o ódio. Agora Mauro é mal.
Na verdade, sempre foi mal, todos nós somos. Acontece que o lado mal de Mauro só acordou quando viu o mal de outras pessoas se manifestarem em sua vida. Mauro assistia televisão. Era bem informado e sabia que para evitar assaltos deveria dar uma volta no quarteirão se visse elementos estranhos perto de sua casa. Elementos estranhos? Estranhas são essas frescuras!
Mas foi quando a maldade do mundo entrou em seu mundo, que Mauro descobriu a verdadeira face da maldade. E com toda a vontade de sua bondade, amou a maldade com toda a crueldade que nem sabia que era capaz de ter.
Adentrou ao primeiro bar, da terceira esquina, do seu próprio bairro. Resolveu apenas calar, e sua carabina foi quem berrou.
Mauro conseguiu o que queria!
Encontrou um lugar onde muitas pessoas puderam ver seu ódio ser assassinado por ele mesmo.
Os bebados endoideceram com o suicídio ao vivo. Principalmente Osmar, que filmou tudo em seu celular.